Tamanho da Empresa e Inovação em Serviços

A pesquisa nas atividades inovadoras de empresas no setor de Serviços recentemente começou a emergir. Dada a mudança em direção aos serviços nas economias altamente desenvolvidas, como refletido por taxas mais altas em startups, é crescentemente importante entender melhor se, e se sim, como empresas em knowledge intensive services (KIS) (serviços intensivos em conhecimento) estão aptas a se engajarem e se beneficiarem de atividades inovadoras, à medida em que tais empresas têm o mais amplo potencial de inovação no muito heterogêneo setor de serviços.

Há não somente similaridades, mas também diferenças entre empresas nas KIS-industries e na indústria manufatureira que podem afetar os processos inovadores, tais como diferentes requisitos de capital para iniciar um negócio, diferentes requisitos de trabalho e qualificação, a localização física da produção, e a tangibilidade do produto. Isto influencia o tamanho mínimo específico eficiente da empresa da indústria. Consequentemente, enquanto no setor da indústria manufatureira a maioria dos indivíduos é empregada em grandes empresas, o oposto é verdade para o setor de KIS.

Logo, óbvias questões emergem. Dado que uma forte e positiva relação entre tamanho da empresa e a probabilidade de se engajar em atividades de inovação são consistentemente encontrados na manufatura, a grande participação de microempresas no setor de KIS significa que a maioria dessas empresas se abstém de inovar?

A Pesquisa

Uma pesquisa recente, intitulada “Firm Size and Innovation in the Service Sector”, do Center for Economic Policy Analysis, enfrentou três questões. Primeiramente, até que extensão as empresas que ofertam KIS conduzem atividades de P&D de forma a se tornarem mais inovadoras. Segundo, se o elo entre insumo de inovação, produto inovador e produtividade funciona nesta parcela do setor de serviços de forma similar ao setor manufatureiro. A Terceira questão: até que extensão o tamanho da empresa importa no setor de serviços com respeito à decisão para investir em novo conhecimento?

Combinando dois modelos estabelecidos na literatura, e utilizando um painel de dados de empresas alemães, o trabalho permitiu estabelecer uma interpretação causal da relação entre produto inovador e produtividade do trabalho.

Os autores observaram que empresas intensivas em conhecimento de todos os tamanhos estão aptas para transformar insumo de inovação em produtos de inovação. Ademais, mostraram que este conhecimento produzido de forma inovadora causa aumento na produtividade do trabalho, e ambos achados se sustentam tanto para empresas KIS, de forma similar ao setor manufatureiro. No entanto, o tamanho da empresa é disparatado entre os setores da indústria: enquanto empresas de tamanhos maiores doam vantagens para inovação e produtividade na manufatura, os achados da pesquisa sugerem que empresas menores no setor de KIS são menos prejudicadas por sua inerente desvantagem de tamanho.

Em resumo, a crença de que o setor industrial é importante porque só ele potencializa inovação, e ganhos de produtividade, é nada mais nada menos do que uma crença! Os knowledge intensive services (KIS) (serviços intensivos em conhecimento), tais como os da indústria de produtos e serviços de tecnologias de informação, comunicação e controle – TICCs, estão aí para mostrar que “existe vida econômica na era pós-industrial”.

Veja o artigo completo aqui.

Por José Carlos Cavalcanti, consultor, sócio da Creativante Consultoria em Inovação, Professor da UFPe e Parceiro da Business Mindset Consulting.

 

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